Obrigado, mas prefiro blogar.

Receber uma mensagem de novo comentário foi quase assustador. De cara imaginei que os malditos spammers tinham finalmente vencido o Akismet ou que era algum tipo novo de tentativa de hack.
Mas era uma pessoa de verdade, uma pessoa com um pedido nada novo:

Screenshot de um comentário, onde uma pessoa com o mesmo nome que o meu pede para comprar meu domínio.

Mal sabe ele que para mim já é questão de honra. Só sendo um Daniel Souza para entender a chateação que é ter um nome mundano, comum. Anos respondendo comentários de desconhecidos que te confundem com um famoso cantor no Twitter. Tentativas mensais de roubo de username no Insta por meio de resets de senha.

Vender meu domínio? Nem a pau, Juvenal! Obrigado, mas prefiro até voltar a blogar.

Tentando entender os #protestosBr – Volume 142

Antigamente, no tempo da web moleque, marota, existia um negócio chamado bridge-blogging, que resumidamente é a ação de blogar linkando ideias ou pessoas dentro de um tema. Desde de que as manifestações começaram a tomar corpo, a única coisa que temos certeza é que está todo mundo tentando entender não só o que está acontecendo, mas os motivos, desejos, ideologias e whatever para algo tão significativo acontecer no Brasil. Algo que é diferente da praça Tahir no Egito, diferente de Occupy, diferente de Gezi na Turquia, diferente de tudo que já vivemos.

Esse post, obviamente, não tem como objetivo explicar fenômeno tão complexo, mas fazer uma ponte com algumas ideias que vi compartilhadas recentemente por pessoas bacanudas lá na rede do Zuckinho e que merecem estar juntas para a posteridade.

A primeira dessas pessoas é o Augusto de Franco, que no post 7 pontos para entender porque as manifestações de hoje são diferentes tenta explicar novamente as questões interação x participação e analisa os protestos com seu óculos-de-enxergar-redes e porque são diferentes de outras revoluções. Junto com este outro texto, é material instigante para entender como as coisas estão acontecendo.

O inovador dessa movimentação incrível (e inédita) que estamos vivendo no Brasil é que ela não tem organização top down, não tem direção, foi convocada de modo distribuído P2P e com a utilização de midias interativas. Ou seja, a despeito dos sinceros esforços dos que querem convocá-los e orientá-los, os eventos estão sendo organizados pelos próprios participantes, pessoalmente ou clusterizados em múltiplos grupos que não podem ser representados por ninguém.

A segunda é o meu amigo Juliano Spyer, que no post abaixo tenta entender esse novo bicho, que parece de 7 cabeças, mas não é. É só um bicho novo para gente.

Também estou curioso e amedrontado para ver o que está para vir das movimentações no futuro próximo. Mas estou feliz com o quanto sinto que todos crescemos transformando teoria em prática e vice-versa, nas muitas conversas e ações vividas nas ultimas duas semanas. Aqui vai a minha contribuição:

Há um bicho que nasceu, que saiu para a luz; um bicho com muitas raivas e que deve ser tratado como tal. o bicho nao pensa; o bicho está desabafando, chorando, gritando, se defendendo, vomitando tudo o que engoliu.

acho complicado chamar o bicho de fascista. acho que o bicho é jovem, é idealista, é em parte ingênuo (e sonhador), sente que tem algum poder e está animado com isso.

acho que o bicho é filho de uma classe média que está desiludida e cansada. cansada de ter medo da polícia e do bandido, do transito infernal, dos políticos aumentando o próprio salário, dos investimentos superfaturados para a Copa e para as Olimpíadas.

nao acho que o bicho esteja errado ao atacar a participaçao de partidos políticos nas marchas. o bicho não pensa que não sem partido não há governo. para o bicho, os partidos tiveram seu momento e há uma grande desilusão em relação aos resultados até aqui.

tendo vindo da classe média, o bicho está decepcionado com o PT e com os partidos de esquerda em geral. na verdade, todos nós, ex-militantes e simpatizantes nos sentimos traídos pelo que o partido se tornou, com sarneys, renans, collors, etc.

dizer que o bicho é fascista implica em dar a ele uma unidade ideológica que ele nao tem. o bicho quer soltar seus cachorros e não está pensando nas consequencias.

o que o governo pode fazer agora? pode tratar o bicho com respeito. pode pressionar o congresso para votar rapidamente pautas importantes para o bicho e que vem sendo proteladas: cassaçao de corruptos, 10% para educação, etc. pode dar provas de que será mais transparente nas decisões.

o que nós podemos fazer agora?

bom, nós fomos para uma festinha que virou um festão, pegou fogo (no bom sentido), amigos de amigos de amigos foram chegando, muita bebida, vizinhos insones chamaram a polícia, houve desgastes, também pessoas começaram a brigar e quebrar coisas na festa, o som saiu do controle e está tocando música alta de qualidade duvidosa.

um caminho para a gente é ir embora para casa e esvaziar a movimentaçao. isso ajuda a reduzir a pressão do ambiente. outro caminho, para os mais amigos do dono da casa, é ficar lá até o final, pegar uma vassoura, fazer um café forte e começar a varrer o chão.

E a terceira é de uma moça chamada Karla Lopez, que ainda não conheço, mas que descobri no feed do Marco Gomes, que tem sido uma fonte importante de informação sobre os protestos. O texto dela é deliciosamente simples e trata de forma empática e sensível da dor de não saber para onde ir.

Eu sou extremamente contra qualquer tipo de violência e, mesmo sendo extremamente apartidária, condeno também a violência contra as militâncias.

Eu entendo a importância história e política dos partidos. Sei que nenhuma mudança política acontece sem eles. Mas vamos admitir que faltou SENSIBILIDADE na hora em que as militâncias tomaram a decisão de ir pra rua ontem. Faltou respeito a dor do povo.

O povo está de luto. Não gosto da palavra luto porque em português ela perde um pouco o sentido de “processo” e ganha a figura da pessoa vestida de preto após um enterro. Não é esse luto, é o “mourning”. O processo de dar adeus, de se despedir.

As pessoas queriam estar na rua juntas, como pessoas, e velar a acomodação política que vivemos desde sempre. Arrancar de dentro do coração tudo de ruim que vem a mente quando pensamos em política.

Ainda não era hora.

Todo mundo precisa de tempo pra se curar. Tempo pra contemplar a mudança e se acostumar com a nova postura. Ainda dói, a gente ainda tem medo. A gente foi enganado por muito tempo e achávamos que não dava pra fazer nada.

Imagina que você apanhou do marido por 50 anos, achando que não podia deixa-lo. Quando o faz, seria saudável cair no samba com outros rapazes pra curar o medo, a falta de auto-estima e confiança que cultivou durante meio século? Eu acho que não. É hora de se reconstruir, de se conhecer, de enterrar o que aconteceu, pra então começar de novo.

Ninguém merece ser acuado, agredido e humilhado por acreditar no que acredita. Mas se você é uma pessoa politizada, militante, eu esperava que você entendesse mais de povo, de gente, e se solidarizasse com a dor de quem acabou de quebrar um círculo vicioso e está tentando entender qual é o próximo passo.

Crescer dói. Respeite a dor.

Cada um tem seus pontos de vista, e alguns até se contradizem. Mas é gostoso pode ler, matutar e ficar admirado com o rendimento fantástico desses 0,20 centavos em ideias com potencial transformador. Me dá esperança de que essa chacoalhada é séria o bastante para criar interações novas e mudanças positivas. Feeling hopeful.

* O desenho que ilustra esse post é uma piada. Uma piada de quem já desistiu há tempos de rotular e quem mais é pular no Fluzz.

Tchau Sampa, Olá Brasília!

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Há cerca de dezoito meses escrevi aqui neste blog semi-abandonado dicas para andar de bicicleta em São Paulo. Nesse tempo, usei a bike para meu translado algumas dezenas de vezes, aprendi como o trânsito e a cidade funcionam, percebi as sutilezas, dores e alegrias de morar na maior metrópole da América Latina.Ontem, com a ajuda do meu primo Fernando, embalei minha pretinha e peguei o TAM para o cerrado. Meu experimento de usar a bicicleta como meio de transporte, pelo menos uma parte do tempo, continuará em Brasília.

Deixo São Paulo com alegria, mas com certa saudade. Conheci excelentes profissionais, participei de projetos fodas, comi em lugares espetaculares e aproveitei, como podia, do caos e da diversidade da paulicéia. Fiz novos amigos, convivi mais com duas tias queridas e primos. Será para sempre um lugar de boas memórias.

Brasília, uma cidade que achei estranha e inóspita no início – morei aqui por cinco anos, começando em 2006 – tem hoje um significado especial e será minha nova casa, pelo menos por um tempo. Aqui conquistei grandes amizades, conheci minha esposa e ganhei uma nova família. Descobri coisas que gosto de fazer e aproveitei como pude da natureza singular e bela do cerrado.

Recomeçar aqui é desafiador, mas a sensação é de continuar uma jornada. Aos amigos de São Paulo, um muito obrigado pela paciência, carinho e amizade. E para galera do cerrado, nos vemos nas superquadras :)

Sobre o papa, meteoros, enxaquecas e mais um sinal do fim do mundo

Se você não está escondido embaixo da terra, deve ter acompanhado notícias sobre o primeiro Papa que "pediu para sair" nos últimos 9 séculos, meteoros ferindo milhares de pessoas na Rússia e aparecendo sutilmente na Flórida. Se é um cético, com certeza não irá dar a mínima para essas coisas. Mas se acredita em sinais, este post aqui tem como objetivo anunciar uma mudança  que pode ser interpretada por alguns amigos como a chegada do fim dos tempos: resolvi que vou fazer dieta e desisti do meu plano de ser gordo. 

Nos últimos meses tenho pensado sobre minha saúde e sobre como as coisas que comemos acabam nos afetando. E coincidentemente, pessoas ao meu redor tem tomado atitudes que para mim seriam impensáveis, e que acabaram me influenciando. Primeiro, Bito, um grande fã da Coca, anunciou que não irá mais tomar o líquido sagrado. Logo em seguida, meu pai comentou sobre a mesma coisa, me deu uma aula sobre o PH, bebidas alcalinas e perigos das bebidas gaseificadas e baniu todas essas coisas de sua casa. E recentemente vi com a Leiliane o documentário Muito Além do Peso, que fala sobre a indústria de alimentos e como nosso hábitos alimentares estão mudando.

Todas essas coisas já eram meio que conhecidas por mim, mas quando você sente os efeitos diretamente, as coisas começam a ter outro sentido. Há uns 4 meses tenho enxaquecas terríveis, que duram 12 horas. Comecei a ter problemas de alergias estranhas, que antes não existiam. Essas coisas parecem besteira, mas quando você começa a se sentir mal o suficiente para querer procurar um médico, sua cabeça muda.

Acabei descobrindo um livro, de um médico brasileiro, sobre enxaqueca. E o livro já começa dando um pontapé na industria de medicamentos. Em síntese, ele fala que determinado desequilíbrio químico é o causador da enxaqueca, e que é possível a cura por meio da mudança de hábitos alimentares. 

Encontrei referências sobre uma tal Dieta do Paleolítico e me encantou a ideia de me livrar dessas dores cretinas sem deixar de comer bacon, meu alimento predileto, e de quebra perder um pouco de peso. No vídeo abaixo você pode ver um pouco dos conceitos:

Encontrei também um blog de um médico brasileiro que fala bastante sobre o assunto e que recomendo a quem se interessar por questões científicas relacionadas a nutrição.

Começo o meu experimento hoje e quem quiser acompanhar, pode visitar este tumblr. Desejem me sorte :) 

E o seu 3G, funciona direito ?

Com o lançamento do Iphone 5, comecei a pensar sobre a necessidade (e as vantagens) de um acesso móvel de qualidade, ultra-rápido. Uso internet no celular desde a época do N95, e é incrível como estamos cada vez mais dependentes de uma conexão de qualidade a medida que nossos dados ficam armazenados na tal da “nuvem”.

Já pensou que, se você usa Iphone ou Android, a versão mais atualizada da sua agenda de contatos está online? 

É uma versão beta, e para colaborar você pode enviar seu relato no site  ou usando a hashtag #3gfail no twitter + o nome da operadora ( se vc não habilitou a geolocalização do tweet, cite também o local onde aconteceu a falha)

Os dados da plataforma estarão disponíveis por API e no mapa do site, onde no futuro, espero que possamos visualizar e identificar melhor as áreas cegas de cada operadora em cada cidade. 

E viva a internet e seus projetos loucos e colaborativos!

Sandra Bullock, Lindsay Lohan e Rihanna vestidas de colchão.

O artista inglês Warpdog lançou uma campanha (não oficial) para o setor de Turismo de um distrito de Londres, Walthamstow. Para resolver um problema muito simples, diminuir o número de colchões abandonados nas ruas do bairro, ele produziu montagens curiosas com celebridades vestidas com tecidos parecidos com os colchões abandonados. No mínimo curioso. Você pode ver o album completo, fotos da Rainha da Inglaterra, Britney Spears e outras celebridades no album do Facebook Celebrities That Look Like Mattresses. Não esquece de mandar para seu amigo planner/hispter que acha elegante usar xadrez :) 

 

 

 

Voluntariado e Design: Um mundo de possibilidades #servoluntariovaleapena

Fui convidado pela Sam Shiraishi e Fernanda Sá para participar da blogagem coletiva em comemoração ao dia internacional do voluntariado, e apesar do pouco tempo e da enorme falta de habilidade em lidar com a flor do lácio, aceitei o convite e resolvi falar sobre voluntariado e do enorme espaço de possibilidades de aprendizado para quem pratica design, seja digital, de interação, de serviços ou visual.

A primeira delas é exercitar e treinar uma característica essencial para qualquer designer: a empatia. Muitas das organizações que contam com o trabalho voluntário tratam de questões que são desconsideradas pela maioria da população. Ter contato com estas instituiçōes e pessoas fantásticas te dá a oportunidade de perceber intensamente a perspectiva emocional e psicológica de outras pessoas e desperta em você reações e intuições que mudam sua forma de projetar. Imagine: Como você passaria a lidar com o uso de sons em interfaces se estivesse fazendo um trabalho para a Fundação Lara Mara

Outra lição é aprender a lidar com restrições, sejam de orçamento, tempo ou pessoas. Raras são as instituições que não tem uma ou todas essas restrições. Isso te força a ser criativo na escolha de ferramentas e materiais, processos e técnicas e de focar em características e soluções que vão resolver de forma eficiente os problemas, além de aprender a comunicar claramente e para diversas audiências as decisões de design. Trabalhando na iniciativa privada, seus colegas de trabalho e clientes têm o conhecimento mínimo dos métodos e processos de comunicação e design, o que torna o trabalho mais fácil. Num cenário de voluntariado, você tem que trabalhar com pessoas que tem conhecimentos totalmente diversos dos seus, e isso melhora sua capacidade de comunicação substancialmente. Tente explicar para uma senhora respeitável de 70 anos o que é Design Thinking ou Design de Interaçāo e você vai entender o que estou falando

Um último ponto interessante é o que chamo de objetividade de propósito. A experiência de colaboração em grupos que entendem de forma apaixonada a importância de pequenas ações para alcançar objetivos maiores é estimulante. A certeza de estar resolvendo os problemas certos faz com que você supere todas as dificuldades e restrições, e no meio desta jornada você adquire conhecimentos práticos e humanos insuperáveis.

Aproveite o Dia Internacional do Voluntariado e conheça algumas oportunidades que podem transformar sua vida  e a de dezenas de pessoas, e o melhor: você nem precisa sair de casa, as oportunidades são para trabalho remoto. Boa sorte, e se precisar de alguma dica, é só falar!  

Dicas para andar de bike em Sampa

Vou pular o blá blá de “estou sem tempo para atualizar o blog” e contar uma novidade: mudei para São Paulo há 15 dias e estou em um novo emprego, que fica bem perto do Shopping Morumbi. E como qualquer morador daqui, veterano ou “loser”, minha preocupação maior é com transporte. Engarrafamentos gigantes, transporte público lotado e uma complexidade viária de deixar qualquer pessoa de Brasília ou Belo Horizonte embasbacado por meses.

Estou tentando resolver este problema de uma forma que deveria ser popular, mas na verdade não é: pretendo viver aqui sem carro, e priorizar a dupla metrô + bicicleta. Acabei de comprar a preta (foto abaixo) e hoje foi o meu primeiro dia de “commute” alternativo.

Apesar da boa intenção da Prefeitura de São Paulo, existe pouca informação disponível sobre o uso da bicicleta como meio de transporte. Se você estiver pensando em fazer isso, vale a pena ver os mapas de rota do Eu Vou de Bike, acompanhar o Ciclofaixa SP no twitter (se você tem pouca experiência faz sentido treinar nas faixas exclusivas nos finais de semana e feriados) e os blogs Bicicreteiro (lá tem um posts fantásticos sobre as ações da CTPM na ciclovia da Marginal Pinheiros) e Vá de Bike. Aliás, o post de dicas para Ciclistas Urbanos do Vá de Bike é obrigatório. 

Minha experiência começa com um espanto positivo: os motoristas paulistas parecem estar acostumados com a presença dos ciclistas nas vias e me senti parte do fluxo, e não um alvo móvel na pista. Vou tentar compartilhar essas experiências e dicas aqui no blog, e se você tiver dicas, por favor comente!