Aquele passeio no Detran permalink
Me habilitei pela primeira vez em 98. Desde o primeiro momento sempre tive uma birra com Detran, e da ultima vez que renovei minha carteira de motorista, em 2016, minha birra só aumentou. Na ocasião, morava em Brasília e estava me preparando para morar na Inglaterra. Achei importante levar uma carteira válida para evitar fadiga com a burocracia gringa. Lembro bem da experiência detestável lá no Detran de Brasília:
- Ir no Detran do DF e pedir a transferência do prontuário de Belo Horizonte (minha primeira carteira era de Minas)
- Esperar algumas horas para o prontuário chegar via sistema
- Voltar no balcão, e pedir a renovação agora no DF. Ir para fila para coletar a biometria
- Pegar a guia e ir para outra fila: pagar a taxa na agência do BRB
- Abrir o celular e agendar uma clínica para exame médico, em outro lugar
- Fazer o exame na clínica e esperar alguns dias para receber a carteira pelo correio.
O processo todo deve ter demorado uns 20 dias.
Fiquei com esse momento ruim na memória por muito tempo. Lá fora, usei a carteira de motorista internacional até 2021 quando parei de dirigir. A carteira venceu e eu não renovei. A carteira de motorista ficava no mesmo plastico da identidade. Era um lembrete da epopeia burocrática que eu estava evitando, que me assombrava toda vez que saia com minha carteira de documentos. E toda vez que viajávamos de férias Leili me lembrava disso.
Com a nossa volta para o Brasil no ano passado, ter minha carteira de volta se tornou necessário. Procrastinei por meses. Para minha situação, em que o prontuário era de outro estado, só podia ser feito presencialmente. Em outubro do ano passado, marquei minha primeira visita no Poupatempo. Cheguei lá com o agendamento, só para descobrir que para fazer isso deveria antes tirar uma nova carteira de identidade: a CIN (Carteira de Identidade Nacional). Obviamente isso não estava explicado em lugar nenhum.
Em novembro finalizei esse processo da nova carteira de identidade, mas a tarefa ficou parada até julho deste ano.
Leili me lembrou de novo, e finalmente marquei uma nova visita ao Poupatempo. Dessa vez fui na Sé, o único lugar que tinha agendamento disponível em agosto. Demorou cerca de um mês, mas esta semana estive lá e finalizei a epopeia.

Cheguei lá e ja no início, reclamei da demora. Marquei às 11h30, e só fui atendido às 12h15. Depois da longa espera, o primeiro atendimento fluiu e em exatos 96 minutos minha nova carteira de motorista estava disponível no formato digital.
O que mudou neste processo, desde a última renovação:
- Ao chegar no local, com o agendamento, você faz o check-in e já recebe o seu número de atendimento
- O time do Poupatempo agora está ativamente distribuído por todo o saguão. Erros acontecem. Mas tem sempre alguém para te informar e guiar. Minha senha não chamou por 30 minutos, mas alguém foi lá, investigou e resolveu
- O processo da transferência interestadual agora está embutido: acontece em minutos, via sistema, e daí você já pede a renovação na mesma hora
- A coleta da biometria e o exame médico acontecem no mesmo saguão
- O próprio médico te informa os próximos passos depois do exame e você sai de lá com a estimativa de que sua carteira digital vai estar disponível em até 24 horas.
Mas é legal perceber como o sistema como um todo melhorou significativamente no Brasil. Instalar um app e receber a carteira quando cheguei no escritório foi um momento de encanto.
Muitas coisas estruturais, de vários órgãos do governo, tiveram que mudar para isso acontecer:
- Identidade digital do gov.br e a posterior integração do conta gov.br com o site do poupatempo
- App para carteira de motorista
- Número único da Carteira de Identidade Nacional
- A mudança no processo de integração de dados dos Detrans
- A camada digital do ambiente do poupatempo com o app, ligando o agendamento com a fila física
- O treinamento do time do Poupatempo para ativamente prever erros e ajudar com tecnologia
Servidores públicos estão conseguindo conectar, reaproveitar e usar uma infraestrutura compartilhada de dados e serviços digitais para criar experiências mais integrados.
O governo digital deixou de ser promessa. A população espera que canais e serviços públicos estejam conectados e funcionem com continuidade e consistência.
E as vezes funciona tão bem que parece mágica. Foi o caso da Leili, quando foi renovar a dela. Ela já tinha a CIN dela quando precisou renovar a de motorista. Demorou para pedir a renovação da carteira, que no caso dela seria online. Uma semana antes do vencimento, recebeu uma grata surpresa no e-mail.
Bom condutor, sua carteira foi renovada automaticamente
Chegou no app alguns minutos depois. Ficamos até desconfiados de fraude, mas era um e-mail do gov.br. Memorável.