O design antes do design de produto permalink
Se design é política, protótipos são muitas vezes a estrela dos palanques. Um bom protótipo move montanhas. Já diziam os irmãos IDEO:
“Se uma imagem vale por mil palavras, um protótipo vale por mil reuniões.” — Tom & David Kelley
Mas a vida real dos times de produto não é tão fácil. Um protótipo provavelmente será suficiente se você trabalha em uma start-up ou em uma empresa pequena. Mas em corporações, tudo é mais complicado.
Para navegar com calmaria na complexidade, e ser o melhor parceiro dos times de tecnologia, é preciso entender que nem tudo que descreve e especifica a experiência cabe na documentação de UI.
Temos que ampliar nossas caixas de ferramentas, apurar nossa linguagem e fazer o "design antes do design".
Designers de serviço fazem isso muito bem usando a linguagem de jornadas.
Mas ainda existe um vácuo: o entendimento de como o sistema deve funcionar, e sua relação com os dados e plataformas tecnológicas.
Antigamente tinha um pessoal que só fazia isso: os arquitetos de informação. O trabalho deles era usar sitegramas, fluxos, wireframes, diagramas para modelar websites e portais complexos. Estavam bem próximos do que chamamos de modelagem das estruturas de dados.
Central na ideia de modelagem, quando falamos de ambientes de informação compartilhados é descrever as partes do sistema de forma compreensiva.
Recentemente, estive lendo sobre algumas técnicas diferentes de modelagem que podem ajudar Product Designers a encontrar entendimento mútuo com desenvolvedores e areas de negócio.
Essas técnicas ajudam a descrever como os sistemas devem funcionar para suportar as pessoas usuárias, aproximando os times do modelo mental dos usuários. São eles: Concept and Relationship Mapping, do Dan Brown, e OOUX, da Sophia Prater.
Conceitos e relacionamentos permalink
Frequentemente usamos a palavra concept para falar sobre uma visão de design, um conceito, ideia. Conceito no contexto de produtos digitais é um pouco diferente. Estamos aqui falando das ideias que são essenciais para o produto e para quem o usa. Os conceitos de um produto derivam de seu objetivo, e portanto existem mesmo se o produto não exista ainda.
Jira, Trello, Basecamp e outras ferramentas de gerenciamento de projetos tratam dos mesmos conceitos: tarefas, pessoas, projetos. Mas se você usou todos esses produtos na sua visa, sabe que o contexto em que esses conceitos estão relacionados são bastante diferentes.
Como a gente define os conceitos e suas relações é também uma atividade de design.
Para complicar, nem todo conceito é um objeto de dados. E alguns autores usam termos similares, como domínios, para descrever coisas similares.
Vale a visita no post do Dan Brown para entender melhor e seguir sua série sobre Arquitetura de Informação para times de produto.
OOUX permalink
Inventado por Sophia Prater, OOUX (Object-Oriented UX) é uma abordagem de design que usa objetos para estruturar e simplificar experiências digitais.
O modelo ORCA (Objetos, Relacionamentos, Calls-to-Action, Atributos) é a ferramenta central da metodologia. Ao identificar os objetos principais de um sistema, mapear suas relações, definir ações associadas e listar atributos relevantes, desenhar as interfaces se torna um processo menos complexo - mesmo quando o domínio ou o conceito é complexo por natureza.
Sophia é muito generosa e além do curso pago, você pode encontrar os principais conceitos de OOUX no youtube e nesta entrevisa do NN/G podcast no Spotify
Todas essas técnicas, é claro, serão insuficientes sem um entendimento profundo do modelo mental das pessoas que vào usar o seu produto ou serviço.
Se o seu desafio é esse, recomendo o trabalho de Indi Young. Curiosamente, ela também usa a palavra Concept de maneira bastante peculiar. Vou escrever sobre isso depois.
Me parece que temos, de novo, que reinventar UX. E abraçar a complexidade, para conseguir entregar a simplicidade necessária. E para isso, teremos que desaprender e reaprender.
"Os analfabetos do século 21 não serão aqueles que não sabem ler e escrever, mas aqueles que não conseguem aprender, desaprender e reaprender." - Alvin Tofler.