Cidades, bicicletas e o legado de Jane Jacobs

Vi no twitter da @lini o link de uma matéria sobre Bicicletas em Copenhagen. O vídeo é um dos primeiros do projeto Cidades para Pessoas, financiado em grande parte por crowdfunding lá no Catarse. O objetivo da jornalista paulistana Natália Garcia é visitar 12 grandes cidades do mundo em busca de idéias e inovações relacionadas a planejamento urbano. O que une estas cidades é o arquiteto dinamarquês Jan Gehl. Gehl tem uma consultoria de planejamento urbano, a Gehl Architects, e desenvolveu uma metodologia para a melhorar a qualidade de vida nas grandes cidades, reorientando o planejamento urbano para que os espaços públicos sejam ocupados por pedestres e ciclistas. Além de ser casado com uma psicóloga, Gehl foi inspirado por Jane Jacobs, escritora e ativista americana que escreveu em 1961 o livro “Morte e vida das grandes cidades americanas” – que descobri por meio de uma citação em uma palestra do Augusto de Franco na CIRS em 2010 e que tem uma biblioteca só dela lá na Escola de Redes.

Um dos livros de Gehl é o Cities for People, que inspira pessoas do mundo inteiro a repensar nossa relação com as cidades e a importância dos espaços compartilhados para aumentar a “vivacidade” das comunidades. Na palestra abaixo, Gehl fala um pouco mais sobre seu livro:

Mas é possível que esta reordenação aconteça nas cidades brasileiras? O pessoal da Revista Bicicleta fez este questionamento em uma entrevista com Jeff Risom, um dos profissionais da Gehl Architects. A resposta curta é sim, é possível. E se você viu o primeiro vídeo vai perceber que além de tudo é financeiramente víavel. Falta só um pouco de vontade dos governantes, repensarmos nossa dependência dos automóveis e observar e pesquisar a maneira como as pessoas usam os espaços publicos na hora de fazer planejamento urbano.

Consegi, #thacker, a rede como espaço de engajamento político e “Otoridades”.

Estive ontem no Consegi – Conferencia Nacional de Software Livre e Governo Eletrônico –  a convite do Ricardo Poppi e ao lado do Diego Ramalho (Adote um Distrital), Henrique Parra e Rodrigo Luna (Cidade Democrática). A idéia era uma apresentação/debate/painel sobre webcidadania e engajamento político, que vou detalhar logo a frente.

Estavamos juntos desde a hora do almoço, e deu tempo de conversar e combinar alguns detalhes da apresentação. Um dos nossos assuntos era a dificuldade das pessoas ao tentar colaborar em uma causa/idéia na internet, e os outros motivos que fazem com que apenas um pequeno número de pessoas se importem o suficiente para se engajar e interagir em comunidades presenciais e on-line. 
O engraçado é que de manhã, no espaço da Transparência Hacker – que para mim é um exemplo de produção/colaboração relevante e fora do comum – conversava com um grupo da comunidade de software livre sobre a frequencia em que listas de discussão morrem ou são abandonadas por membros experientes. Logo mais tarde tive a oportunidade de conhecer pessoalmente o Emerson Duke e o Fabrício Zuardi e comentamos sobre  os desentendimentos que acontecem por posts repetidos e outras bobagens que as interfaces de fóruns e listas não conseguem evitar.  

Fomos para a apresentação do painel, que era um dos poucos formados apenas por pessoas da Sociedade Civil. Como o tema  era engajamento, combinamos que cada um iria fazer uma apresentação rápida (20 minutos) e o restante da apresentação (40 minutos) seria para  formular questões para a audiência e tentar descobrir sobre as dificuldades de colaboração e as motivações ao se engajar com webcidadania.

A participação foi interessantíssima, com várias perguntas e muitos comentários.Percebi claramente que muitas pessoas na Conferência esperavam um painel em que todo mundo pudesse ter a chance de falar. E meu aprendizado maior é que temos uma oportunidade gigantesca para desenhar plataformas interativas que facilitem a colaboração entre grupos, sendo que alguns gaps importantes são:
– Que tipo de interação pode ser desenhada para fazer com que as pessoas que atualmente não conseguem entender o modelo “lista de discussão” se sintam “participantes” e engajem em iniciativas cidadãs?
– O que podemos criar para facilitar a colaboração com a realização de pequenas tarefas? (pensei aqui em um Mechanical Turk + remuneração por whuffies)
– Que mecanismos podemos criar para fazer com que pessoas com interesses similares e habilidades complementares se encontrem?  

– Como fazer para salientar a meritocracia e incentivar a gratidão nestes ambientes?

Ainda é um monte de perguntas, mas sem elas não existe aprendizado. A experiência foi fantástica e espero continuar minha pesquisa sobre engajamento e webcidadania e ter a oportunidade de pensar/desenhar plataformas que possam responder as perguntas acima. Muito bom também foi  conhecer pessoalmente outros integrantes da Transparencia Hacker, em especial o Luciano Santa Brígida, Liane Lira e Diego Casaes, que mandaram muito bem no projeto Otoridades – um espaço para denúncias de abuso de poder – lançado ontem no segundo dia de #thackday. 

Marina Morena, você me deixou

Lembro como se tivesse sido ontem, do nosso primeiro encontro lá no Yellow Blues Bar: Descobrimos logo de cara que tinhamos um monte de coisas em comum, e sacanear o Sapo era uma delas. De uma pequena afinidade, nasceu uma amizade enorme, quase que inacreditável – nós dois não acreditavamos ainda em amizades entre homem e mulher, lembra? 

Difícil esquecer dessa época. Nossos passeios na Lagoa do Nado, dos almoços e conversas com Cycy e Dona Mary Help, das noites de rock lá no condomínio e dos shows da Nação Zumbi.. Os rolês e cervejadas na casa do Nunu, com o Thiago, a Memê. 

Ainda no século 20, fomos separados pela minha primeira migração, para o Pará. Neste tempo tivemos pouco contato, mas sempre que nos viamos era como se ainda fossemos vizinhos na Pampulha, e o seu sorriso belo me fazia ter vontade de voltar para Belo Horizonte, sentia falta de você de de meus amigos verdadeiros.

Dois anos depois, num golpe de sorte, nos reencontramos de novo, em Brasília. Parecia até brincadeira, porque tinhamos combinado em morar juntos um dia, e nem acreditei quando isso aconteceu. Foi realmente surreal dividir aquela flat da  714, lugar famoso pela presença das meninas da vida. Lembro da nossa varanda, do frigobar lotado de cerveja e de você chegando do trabalho a noite, e eu te vigiando lá de cima. 

E lembro do nosso apê da 711, do encontro mágico com a Luciana Homsi, depois de quase um mês desesperados para encontrar um lugar bacana. Da primeira noite dormida no apê vazio, deitados somente em um edredom e com uma garrafa de água. De cada discussão enorme para comprar cada coisa boba, como um utensílio de cozinha ou um móvel. Da nossa casa pronta, e das festinhas no tapete. De você sempre tomando a última cerveja e ficando vesga. Da vinda do Wallace, e de vocês dois conspirando para me irritar. Da zoação com a Roberta e as meninas da loja. Da visita da Cycy e do Beirute. Da sua tartaruga, que hoje está aqui na minha sala. Da nossa parede. De correr de você quando tinha clássico mineiro, porque a mandinga era forte e seu time sempre ganhava quando assistiamos o jogo juntos. Das famosas macarronadas, tão apreciadas pela Vê, Mattioli, Hélio e Vini. De como você acolheu a Leili. 

Lembro como foi difícil para mim apoiar você na busca de seu sonho, de fazer música. Significava que você estaria distante, que sua nova casa era o Rio. E depois fiquei tão orgulhoso de te ver conseguir alcançar tudo isso. Como fiquei feliz em te ver tão feliz, fazendo parte de algo maior, uma verdadeira sambista!

Nega, a partir deste momento o roxo não será mais o mesmo. Eu e milhares de mineiros, candangos e cariocas seremos mais sisudos. Como bem disse o Mattioli, o mundo perdeu o melhor abraço. Como disse o sapo, o Rio perdeu sua mulata mais bela. E como dezenas de pessoas vão dizer, o Brasil perdeu seu sorriso mais belo.

Fiquei sabendo há pouco que seu último adeus será amanhã, em Belo Horizonte. Me recuso a ver isso, a te ver sem sorrir, estática. Quero guardar para mim outra imagem de você. Já tinhamos sonhado tantas coisas juntos, mas nunca sequer brincamos e pensamos na morte. 
Tenho certeza que agora você está no céu, dividindo a mesa com o Mussum, Cartola e com a Cássia. Descanse em paz e saiba que sempre amaremos você, e que a partir de agora vou parar de chorar, porque isso seria um insulto a sua alegria, que é eterna.  

  

Daniel de bigode!

Tenho um amigo aqui em Brasília, o @Thum que está usando um bigode ridículo. Estava bem barbudo no domingo, e resolvi deixar o bigode só para tirar uma onda com o @thum. A Leili tirou uma foto e colocou no Instagr.am. Dois dias depois recebo o seguinte e-mail, do Ischaber. 

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WFT???

Meu Deus do céu! Que m….. é essa?

Uma cruza estranha entre Mexicano/Uruguaio + Terrorista Líbio x Cobrador do 1207B sendo DJ de busão tocando Latino! ("Oh… baby, baby, me leva…") PQP!!!

O que não consigo imaginar é um bigode deste na cara de um cara super asseado como Daniel Souza. 

Imagino este ser fazendo uma boquinha no meio da noite camuflado pela penumbra da luz fraca da cozinha comendo biscoitos recheados e um copo de leite, corram!!

Porra velho! Este tipo de bigode ridículo já tá fora de moda! Chico Buarque largou o dele em 1978, e o dele era feio mas o seu é praKray!

Este bigode é por protesto, quer ser o próximo Mano Brown? "A voz da periferia"

Ou esta se achando o próprio Ron Jeremy e diz para todos que isso não é bigode, é rodapé de "peteteca"?

Já sei, o seu sonho é deixar esta escovinha de umbigo crescer, comprar um cachimbo e filosofar tipo Nietzsche. Lembre-se: Nietzsche não era mais homem por causa do bigode, alias, ele era corno.

Este bigode tipo Seu Madruga já está muito fora de moda. Igual a hering preta e calça jeans. (Agora que me toquei, tal conjunto era o uniforme do Seu Madruga!)

Bigode de mendigo! Tipo o do Tim Maia em meados de 76, 77, quando este vendia seus discos ruins pacas daquela fase racional (que de racional nada existia), em pleno cruzamento e sinais de trânsito no Rio de Janeiro.

Bigodinho ridículo anos 80! Eddie Murphy! Mussum! Nunca chegará a ter um portentoso bigodão como o de Cheech Marin, Tom Selleck ou Valdir do Galo. Será essa tripinha tipo Ary Barroso para sempre!

Brincadeiras aparte, respeito sua decisão de "deixar o bigode" (sic), se eu tivesse algum, também deixaria. Note que todos os exemplos que citei, apesar de feios, eram bigodes de respeitos e lembrados até hoje.

Minha sugestão é que "deixe o bigode mesmo" (olha ele aí de novo), este novo assessório que adotou ficou bom, ficou bacana sim, vanguardista, cara de macho, igual a Frida Kahlo.

Abraços.

Wallace Ischaber

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Blog da Bethania, Piranhas e Mais poesia ( menos dinheiro)

Um dos assuntos mais falados da semana é o tal do blog de 1,3 milhões de Maria Bethânia, celeuma que foi provocada pela fofoqueira da folha neste mal escrito artigo. Alguns analisaram as minúcias do projeto. É talvez a pior documentação de um projeto – seja de web ou filme – de todos os tempos, apesar de ter pessoas competentes envolvidas, como o pessoal da Aorta e o Felipe Vaz. A maioria simplesmente "desceu a lenha" e alguns conseguiram me surpreender positivamente pelo pragmatismo e pelo olhar diferenciado da situação. 

O Juliano Spyer fez algumas observações interessantes, mas a melhor delas foi a percepção do comportamento "piranha" da cena hipster da internê brazuca (imagem que ilustra este post). Um "influenciador" acende o fogo, e em instantes milhares de pessoas estão descendo a lenha na famosa irmã de Caê.

A Yaso conseguiu ser certeira como uma flecha, e tocar em um ponto importantíssimo: Como pode uma lei de incentivo cultural não prever que obras financiadas com dinheiro público tenham licenciamento aberto? Devia ser item de edital: produziu com $ da Lei Rouanet, tem que no mínimo estar disponível para download no dia seguinte.

O Duende destilou seu veneno, e apontou com uma clareza épica quais são os reais problemas do MinC e do Governo Dilma, que não se limitam a leis que não funcionam. Não concordo com todas as coisas ditas por ele, mas é uma visão livre de ideologias ( se isso é possível) e aponta o cerne da questão: No final das contas, "quem se fode é você, que vota e acredita". 

Mas de todas as reações geradas pelo assunto, o que mais me chamou a atenção é que as pessoas entenderam que existe um problema real a ser resolvido, existe uma missão não cumprida: O que podemos fazer para democratizar o acesso a poesia? E com a visibilidade do assunto, as soluções criativas já começaram a aparecer: Paulo Rená começou com um twitter, o @maispoesia . Você grava um poema a sua escolha, manda pro Youtube e a conta publica automaticamente. Já o Fred Leal começou o 365 poesias com textos inéditos, filmados por seus autores. 

É cada vez mais difícil para os Governos fazer escolhas isentas de politicagem na hora de fazer investimentos, mas a imensa capacidade do brasileiro de se virar, de comunicar e replicar suas gambiarras me faz acreditar que não precisamos de Bethanias, mas de milhares de Anônimos que realmente acreditam em compartilhar cultura, conhecimento, atenção. 

   

Anúncios em 3D para IPad

Quem assistiu a queda das Torres Gêmeas via streaming, e lembra 
da primeira bolha sabe: Tecnologias 3D são sempre consideradas 
inovadoras e importantes – muitas vezes até mais do que deviam, 
caso do Second Life e de vários plugins 3D para browsers, por exemplo. 
De qualquer forma achei interessante esse conceito da Cooliris para
anúncios 3D no Ipad. O uso do acelerômetro e a possibilidade de tocar
diretamente a interface faz toda a diferença. Em breve, será o padrão em sites
mobile de carros, pode aguardar. 

a genialidade de Cash em Folsom Prison Blues

 

No dia 13 de janeiro de 1968, há exatos 43 anos anos, Johnny Cash fazia sua apresentação na prisão de Folsom Blues, Califórnia.  Recém casado e “curado” dos seus problemas crônicos com drogas, Johnny ainda não era um músico popular fora da cena Country.Lançaria alguns meses depois o disco  At Folsom Prison e a música Folsom Prison Blues se tornaria um grande hit. A música é sobre um criminoso que conta a sua história, e imagina o que as pessoas livres estariam fazendo. Um clássico, que merece ser ouvido novamente. 

Garoto inglês de 5 anos, cantando sua versão

Ao vivo na prisão de San Quentin, na década de 70

Clipe amador com cenas e áudio da versão apresentada em Folsom Blues
 

Alívio imediato para um bando de loucos

Vida de torcedor do Galo é dificil. Comecei a escrever para este blog em plena "Era Luxemburgo" que é sinônimo de decepção coletiva. Diretoria, torcedores, jogadores e provavelmente até o próprio Luxa deve ter fica insatisfeito em sua passagem pelo Galo. Meu primeiro post falava exatamente da expectativa que tinhamos todos de que o Luxa fosse o nosso Sassá Mutema, o Salvador da Pátria. Expectativas frustradas de lado, e algumas mudanças depois, posso dizer que temos hoje um Atlético Mineiro renovado.

A ascensão de Renan ao posto de goleiro titular, o "desencanto" de Obina e melhorias visíveis no plano tático e defesa são os resultados do trabalho de Dorival Jr. O último jogo, contra o Goiás, nos salvou do rebaixamento. Mas a vitória sobre o Palmeiras foi mais significativa: foi como chegar no topo, depois de ter rolado montanha abaixo por 25 rodadas. Para mim, e milhões de loucos torcedores atleticanos, este será um Campeonato Brasileiro memorável. Servirá para sedimentarmos nossa insanidade e paixão por um time que significa raça, teimosia, perserverança. E que tem com certeza uma das torcidas mais fanáticas do mundo.

Originalmente publicado no Pontapé.net – Obrigado @ro_teixeira pelo puxão de orelha, há tempos não publicava.

Conversando com Paulinho Moska

Fui convidado para um pocket show do Paulinho Moska, pela equipe do Brasília Shopping, que está reinaugurando seu Espaço Cultural ( na semana passada estive no mesmo espaço com o Nandico e a Soraya apresentando o World Usability Day, mas essa é outra história).

O Espaço é bastante confortável, para cerca de cem pessoas, e a acústica e iluminação são excelentes. O Moska chegou um pouco atrasado, e sentou no barquinho já puxando conversa. Ele está há seis anos como artista independente, e lançando o disco duplo Muito Pouco. Contou sobre a sensação de se sentir livre de prazos e pressões, e como essa desaceleração impactou no seu trabalho e na sua vida. Ele falou também sobre a questão do olhar interior, que nos permite ver a beleza em coisas simples, e sobre como a contemplação obtida por meio de uma vida menos corrida nos ajuda a enxergar criativamente todas as outras coisas.

Achei o papo bem interessante e honesto, e o formato de Pocket Show bem legal. Percebi a paixão do artista em ouvir, em estar perto do público. Outra coisa engraçada foi perceber que a equipe dele é de groupies, não de roadies. O técnico de som o observava do palco, visivelmente encantado com a performance e feliz por trabalhar com o Moska. Uma moça da equipe dele nos recebeu na entrada do Teatro, extremamente simpática.

Confira as 3 músicas que ele tocou, na integra:



ps: na minha opinião, "Muito Pouco" ficou melhor assim do que com a Maria Rita, pareceu menos forçado, mais autentico.